Despedida e uma amostra-gratis

Como ferias de verdade sempre acabam, parece que as minhas tambem chegaram ao final. O Tim partiu para a Inglaterra, onde seus amigos, a cerveja quente e o pub local o esperavam ansiosamente. Mas para minha alegria ele deixou uma amostra gratis aqui: sua versao-miniatura, o pequeno Davi, que eh filho do Thiago, namorado da minha amiga Livia Marota. O Davizinho eh simplesmente a ca-ra do meu ingles. Foi so o Thiago dizer: “olha Davi, ele tem os olhos iguais aos seus!” e o bebe nao queria mais desgrudar da gente. E alem dos olhos, ele tem a boca, o cabelo, o rosto e todos os eticetaras. E como crianca nao eh boba nem nada, acho que ele percebeu que se ficasse comigo teria mais chances de voltar para o seu país de origem, ja que a maior “coincidencia” eh que o baby foi concebido em Londres, quando o Thiago estava morando la com a ex-namorada dele. Com todas as pulgas atras da orelha, o Thiago perguntou se o Tim nao tinha passado algum final de semana na capital inglesa em 2004.
Acho que depois desta ele tera mais um motivo para visitar o Brasil, e quem sabe mais uma pensao para pagar.










Velhos baianos, novos bagulhos e coquinhos de mil e uma utilidades

Voce sabe que esta na Bahia quando o sol brilha todos os dias, o calor umido deixa seu cabelo mais sarará, o castelhano eh a lingua oficial e vendedores de fachada te abordam na praia: “vai uma tatuagem de henna ai, amigo? …tenho tambem um bagulho do bom, prensado, se precisar…” E la vem eles, segurando so uma pastinha com uns desenhos fajutos, mas na verdade o principal produto eh outro. Teve ate um que veio vendendo um coquinho seco, com um buraco no meio, e explicando: “esse eh o coquinho pra fumar na praia, eh criaçao minha, ninguem tem ainda, entende? Voce coloca o bagulho dentro e a galera pensa que voce ta bebendo agua de coco… Nao solta cheiro, nao deixa o dedo amarelo…” Meu Deus, uma invencao quase melhor que a roda. Para completar a lista de malandros, veio um bêbado ja na decima cachaça, parou do nosso lado, abriu a mao cheia de moedas e “sera que voce me inteiraria aqui pra eu comprar um… refrigerante?!” – coisa bem no estilo Tela Class da MTV.


E minhas amigas gostam de falar que eu sou mestre de conseguir um desconto em tudo que compro, e alias, nao compro nada sem uma choradinha. Acho que aprendi com minha mae, ou com meu ultimo chefe, o Salim, que acabava dando umas aulas de como ser turco com categoria. Foi ai que um dia ajudei uma gringa em Trancoso, que estava tentando comprar um badulaque em uma barraquinha. O vendedor, alegando que nao tinha 5 reais de troco, queria que ela aceitasse uma pulseirinha no lugar. Eu como boa interprete e negociadora, consegui um anel para a pobre suiça, que custava 10 mas o baiano fez por 5 quando eu disse que ela iria desistir de toda a compra inicial. Vi entao como eh facil tirar dinheiro de gringo aqui e como os vendedores fazem isso com muito estilo. O Tim, se nao fosse por mim, teria comprado todas as barracas de badulaques de coquinho e mais umas lojas de camisetas estive-na-bahia-e-lembrei-de-voce. Acho que todos os gringos em ferias no Brasil deveriam me contratar como consultora de compras e gerenciamento de bens.



Foi ai que um belo dia descobri um verdadeiro artista que fazia caricaturas e resolvi ver como eu ficaria em uma delas. Enquanto o cara me desenhada, as pessoas passavam na rua e rachavam de rir e, eu nao entendendo nada, sorria de volta. Foi ai que ele terminou e eu vi o desenho, que tive que concordar – ficou mesmo a minha cara.



Andando mais um pouco, descobri tambem a Ana, minha amiga que estava por la completamente by herself, assim como ela adora. Ta certo que no segundo dia ela ja conhecia todos os vendedores de Arraial dAjuda, donos de bar, mendigos e cachorros da cidade. E os gringos nao acreditavam quando ela dizia que era brasileira, com aquela cor que a Bahia nao lhe deu, mas que a Europa teria abençoado.


Foi entao que depois de muita sombra, agua-de-coco e bolinho de aipim, chegou a hora de fazer as malas mais uma vez e voltar para casa (onde fica isso mesmo???). Agora eh esperar para ver qual sera o proximo destino e, como diria a piadinha do baiano, se alguem tiver remedio pra mordida de tartaruga ai, pode providenciar porque tem uma vindo bem na minha direçao…

Barrigas e barriguinhas

Hoje eu fui pintar o quartinho da minha futura sobrinha-afilhada-amada Maria Clara (que eu ja apelidei de Marie Claire, como a revista, visto que esta menina sera muito chique e puxara a tia). Por sinal eu acho que ainda nao tinha contado que meu baby eh uma menina (tenho que considerar “meu baby”, ja que estou mais barriguda que minha irma). A Maria Clara eh uma fofa e tem pernas compridissimas (deu pra ver no ultimo ultrassom que neste ponto ela puxou aos pais!)

Voltando ao fato da barriga, outro dia entramos em uma loja para comprar os moveis para o quartinho e a mulher olhou para mim e para minha irma ao mesmo tempo e nao soube qual das duas era a gravida. Hoje descobri que alem de ganhar uma sobrinha, ganhei 5 quilinhos de pura alegria, doces e comida-mineira. As pessoas me perguntam porque diferente dos normais, que vao morar fora e voltam mais cheinhos, eu deixei para engordar so aqui. A resposta eh que la nao tinha estes bifes, picanhas, vatapas, paes de queijo e outras quitandas assim a preco de banana. Alias, ate a banana custava carissimo. Em compensacao, eu ainda entrava em todas as minhas calcas jeans.

Estou pensando agora em aproveitar as vantagens dessa situacao e fazer como minha irma, que entra em fila especial em bancos e supermercados, na maior cara-de-pau, com uma barriguinha de quem acabou de engolir uma azeitona inteira.

*Bellinha esperando Maria Clara, aos 4 meses de gestaçao 😉

Cidades e casos historicos

Como nao poderia deixar de acontecer, fui visitar aquelas cidades historicas indispensaveis nos pacotes de qualquer turista estrangeiro que se preze. A primeira foi Tiradentes. O Tim ficou admirado com aquelas lojinhas e queria comprar tudo, de barril de cachaça a xicaras esmaltadas, daquelas que existiam na casa de nossas avos e a gente nunca deu o menor valor. Mas a maior surpresa dele em Tiradentes foi quando viu algumas folhinhas verdes mexendo sobre um muro de concreto: “Meu Deus, olha isso, as folhas estao andando!!!!” Foi quando percebi uma trilha de formigas carregando folhas nas costas e nao acreditei que ele nunca tinha visto isso antes na vida. Expliquei que aqui o nome disso eh menino-criado-em-apartamento-sem-janela-jogando-bolinha-de-gude-no-carpete.



O proximo destino historico foi Ouro Preto, e desta vez foi a hora da feirinha de pedra-sabao fazer o lucro anual, com a nossa passagem por la. Os vendedores se estapeavam em disputa de quem iria vender mais para o gringo (o unico azar deles foi eu estar junto, pedindo desconto em tudo), mas como somos justos, compramos uma pedra de cada barraquinha e voltamos com um peso que vai extrapolar o limite de bagagem aerea internacional.




Entao partimos para Lavras Novas, onde ele ficou admirado mais uma vez, nao com folhas verdes ambulantes, mas com o caminho off road que da acesso a cidade. Chegamos la e fomos encontrar minha tia, que tem um bar/restaurante por la, alem de um filho, um namorado rastafari, um gatinho e uma cachorra que pensa ser a mae do gato. A noite saimos para o unico buteco aberto na cidade, onde a menor dose de cachaca eh servida em um copo lagoinha cheio ate a boca. Me explicaram que se a dose fosse menor, o consumidor ficaria revoltado e seria capaz de joga-la na cara do atendente. Depois de algum alcool, peixe frito, linguica frita, cebola frita e outras frituras de fazer inveja ao meu irmao do meio, resolvemos ir para a casa dormir, porque descobri que ainda nao tenho idade para tanto.



No dia seguinte partimos para a nossa caminhada ecologica rumo a cachoeira, sob um sol de 35 graus e uma unica garrafinha de agua mineral (ainda estou me perguntando se nao deveria te-la jogado na cara do vendedor, visto que era muito pequena para minha sede).



Para completar o passeio, na hora de partir, minha tia me pediu para levarmos um filhotinho da cachorra do meu primo, que seria para um amigo dela de BH. Como minha tia eh muito fofa e a cachorrinha era mais ainda (notem que ela tem um olho azul e um castanho!), aceitamos e partimos. No meio do caminho tivemos que parar para limpar a pobrezinha que estava enjoada. E logo depois ela nos presenteou com coisa pior, na parte de tras do carro. Mas pra falar verdade, a unica coisa triste foi depois de ter pegado no colo, dado agua na boca, limpado coco e chamado de meu bem, ter que entrega-la ao novo dono.