Do you like Madrid?

Esta foi a frase que eu repeti para o Tim o final de semana inteiro, ja que ate o segundo dia pela manha a gente nao conhecia mais do que o nosso hotel. Isso porque eu cheguei na sexta a noite e ele a tarde, mas ele so saiu na rua na hora de ir ao aeroporto me buscar. No dia seguinte acordei super tarde e fomos passear pela cidade. So que depois de 10 minutos comecou uma chuva terrivel, entao nao conseguimos passar de um ou dois pontos turisticos, para a frustracao da minha camera digital. Entao o jeito foi ir para um shopping fechado e com muitas lojas, para passar o tempo e arrumar um jeito de gastar dinheiro, neste caso, o do Tim. Nessa hora ja comecei a gostar de Madri.




O estilo espanhol eh assim algo muito ecletico. Tem desde aquela mulher que parece ter saido da aula de Flamenco ate aquela que se veste como inglesa (gente, a europa inteira – com excecao dos italianos – tenta se vestir como ingles, como se isso fosse uma vantagem), so que as vezes eles erram feio, e ai nao sei se querem parecer com a Kate Moss ou com o Maradona. Outra coisa engracada eh o modo como nos conseguimos entende-los perfeitamente e eles olham para nos como se falassemos grego. E se voce tentar em ingles eh pior ainda. Eles esperam voce falar 4 sentencas completas e entao soltam esta: “!no te entiendo!” e saem fora. Entao ai vai a dica: para ter um perfeito sotaque e se fazer compreendido, fale em portugues, mas com a lingua presa. Substitua os finais das palavras em “ao” por “ion”, como estacao – estacion. Enfie uma letra a mais onde ela nao existe, deixando a palavra com aparencia de gramatica incorreta (saida – salida) E no lugar de “eu” use sempre “yo”. Se usar uma calca caida e um cabelo de mulets – no caso dos homens – ou uma saia rodada e um cabelo mais armadinho entao, ai ja eh pedir cidadania espanhola.



Bem, voltando a Madri, resolvi que no outro dia eu iria conhecer a cidade em 24 horas. Foi entao que tive a brilhante ideia de pegar aqueles onibuzinhos vermelhos turisticos, como os de Londres, e levar o Tim para sua primeira aventura na pele de um turista nao-europeu na europa. Ele tentou relutar, mas quem mandou escolher uma namorada nao-europeia e com espirito oriental-tirador-de-fotografias. E la fomos nos, com varios casais de americanos da terceira idade (acho que depois de Jerusalem eles vem a Madri) passear pela cidade, na parte superior do onibus, com um ventinho de 9 graus na nuca. Com isso fizemos a volta completa na capital espanhola, descendo vez ou outra para visitar algum lugar que achavamos mais interessante. So paramos mesmo para comer uns tapas, os famosos tira-gostos espanhois, e tomar um vinho que me fez enxergar a cidade com outros olhos. Curiosamente os monumentos ficaram enoooormes, os espanhois super fashion e os precos nas lojas bem baratinhos, mesmo sendo tudo em euro. Depois de tanta alegria eu nao tive como negar: si, a mì me gusta tanto Madri!






Ultimo dia

Acordei com vozes hebraicas vindas da sala e nao sabia se estava sonhando ou sendo vitima de uma invasao israelita. Cheguei na escada e estavam la a arrumadeira e mais um cara, que ficaram super surpresos de me ver, e eu mais ainda de ve-los as 8 da manha dentro do meu quarto. Eles comecaram entao a falar, falar e falar, mas como nao entendo hebraico e eles nao entendiam ingles, nao sei se estavam se desculpando, me mandando embora ou catando o hino israelense.

Mais tarde fui para a minha ultima caminhada na praia, desta vez com um sol lindo e um calor desertico.

*Atencao: Proibido vendedores de empadinhas e mulheres fazendo exposicao da figura.


O taxi me pegou as 2h para o aeroporto, aonde pude me despedir deste lindo pais e da fiscalizacao anti-metais. Sim, porque esqueci de contar este detalhe: em todos os lugares que voce vai, existe um seguranca na porta com um detector de metais, que te revista ou pede para ver sua bolsa. Nao sei se estao contando as moedas e vendo se voce tem dinheiro suficiente para consumir ou so mesmo procurando armas e bombas. Entao voce eh revistado ao entrar no shopping, no restaurante, nas grandes lojas. E no aeroporto a situacao eh pior. Antes mesmo de chegar ao balcao de check-in, um atendente vem ate voce e pede seu passaporte. Nesta hora, mesmo sem ter feito nada errado, voce ja comeca a se sentir culpado e suar frio. Entao ele te coloca em um ponto com sua mala, e vai la na companhia aerea ver se seu nome esta mesmo na lista de passageiros. Se voce nao eh um engracadinho e tem mesmo passagem para embarcar, entao ele comeca as perguntas: “voce mesmo fez sua mala? recebeu algum presente de alguem? deixou sua mala sozinha por algum momento?” E eu ja pensando nos souvenirs dados pela empresa e no momento que deixei a mala no hotel enquanto fui dar uma caminhada. Minhas malas entao foram escaneadas, pesadas e lacradas, antes mesmo de entregues para check-in. Afinal eles nao querem explodir a cara de nenhum atendete da Iberia. Depois disso comecaram a revista do passaporte. Tive que apresentar o documento por 4 vezes. O curioso foi que para entrar no pais nao passei por nada disso. Entao a conclusao que cheguei foi que eles nao se importam se voce trouxer mais bombas para o pais, mas sim se tentar levar alguma destas riquezas naturais embora.

Sexto dia

Dormi como um anjo, coisa que nao contecia desde que cheguei. Nao sei se foi o vinho ou o cabelo molhado, mas acordei com um pique espetacular pro meu ultimo dia de trabalho. No almoco fomos para um restaurante de comida tipica, com todas aquelas comidinhas que ja provamos na casa daquela amiga da nossa tia que tem descendencia libanesa/turca/arabe ou outros lugares onde as pessoas falam usando o RRRrr.



Nao sei se vim aqui pra comer ou trabalhar, mas o que interessa eh que tudo esta sendo pago pela minha querida contratante. E alem disso, tudo terminou mais cedo hoje, entao fomos para um bar na praia, onde eu pude ver o mar antes de escurecer. Pude ver tambem que os caes por aqui sabem ler hebreu e estao sendo muito bem avisados para nao usarem a grama como pinico.



Amanha eh meu ultimo dia aqui e a noite estarei em Madri, para mais uma pequena aventura. Sababa!

Quinto dia

Depois do trabalho fui jantar num restaurante bem bacana em Tel Aviv (lembrando que a empresa fica em Herzeliya, uma praia linda que eu so vi a noite), com minhas coleguinhas e mais outras mocinhas da empresa (uma delas alias, minha chefe-mor). Comemos pra caramba e tomamos tanto vinho que elas so nao perceberam meu vexame porque tambem estavam bebadas. Aprendi algumas novas palavrinhas, a que eu mais gosto eh Sababa, que significa cool, legal. Cheguei no hotel tao cansada que quando entrei no banho nao percebi que estava lavando meu cabelo as 2h da manha.

Shalom!

Bem vindo a Israel! O pais onde todos se parecem com a gente, mas muitos usam aquele chapeuzinho braco no topo da cabeca – o quipa. Alias, aqui tem de tudo, de hippie de sandalinha de couro a maloqueiro com mochilao nas costas, ate aquelas pessoas estilo Ze do caixao, de roupa preta, chapeu preto, barba preta e uns rolinhos compridos na lateral da barba.

Primeiro dia
Confesso que pra mim foi tudo um espanto. A comecar pela chegada, num aeroporto liiindo e suuuper moderno. Eu ja estava um bagaco, depois de ter acordado as 6 da manha no Brasil, saido de confins as 10, esperado em Sao Paulo ate as 4 da tarde para embarcar pra Madri, chegar la as 7 da manha do outro dia, esperar ate 10 e vir pra Tel Aviv, onde cheguei as 5 da tarde, completando o que me deu a sensacao de umas 920 horas sem dormir. Pra completar, o taxista que me pegou no aeroporto nao sabia aonde ficava meu hotel, entao ele ficou dando voltas pela praia – acreditem, estou na praia! – ate que uma meia hora rodando ele achou o lugar, mas nao preocupem porque ele me cobrou muito bem por isso. Na mesma noite, resolvi sair a pe para achar algum lugar pra comer, achei um shopping aqui do lado, onde todos me olhavam super estranho e olha que eu nem tinha rolinhos de barba laterais.


Meu hotel eh lindo e fica em frente a praia!

Os taxistas em Israel tambem usam esteirinha no banco.

Segundo dia
Como hoje eh meu unico dia livre, resolvi fazer uma excursao para Jerusalem. Como qualquer bom turista, perguntei no hotel na vespera sobre algum passeio e, logico, me venderam o mais caro, e eu comprei. O onibus me pegou aqui as 7 da manha, o que pra mim e meu fuso horario era apenas 1 da madrugada. Resultado que peregrinei pela terra santa com uma dor de cabeca dos infernos.




A faixa etaria da minha excursao era 102 anos, entao eu virei a mascote da turma, um aversao adolescente de beata-catolica-fervorosa em Jerusalem. Mesmo sendo a mais agil entre a turma da terceira idade, eh claro que eu ficava pra tras em todos os passeios, afinal eu nao poderia deixar de fotografar nada. Com isso a guia comecou a me gritar de 5 em 5 minutos, refrao este que toda a excursao de vovos-americanos aprendeu e botou em pratica: “KaRRRRla bRRRRazilll” (assim com um R bem carregado, onde a guia falava com sotaque hebreu e os americanos com o sotaque que lhes eh peculiar).






Terceiro dia
Cheguei na empresa para meu primeiro dia de trabalho e fui recebida com a seguinte frase: “porque voce nao veio ontem?” Putz, sei la galera, no Brasil domingo eh dia santo, de ir a missa, e eu fiz mais que isso, fui a terra prometida e com isso estou perdoada. Mas na verdade ninguem me avisou que eu deveria ir trabalhar domingo e se avisassem eu teria ficado muito triste. No final deu tudo certo, as mocinhas sao otimas, os mocinhos simpaticos e entre outras coisas uteis, eu aprendi algumas palavras em hebraico.

A noite fui com minha coleguinha que eh do Vietnam (estes comedores-de-nuddles do meu fa-clube me perseguem desde Sheffield) passear pela marina, aonde os iates ficam estacionados esperando pelos israelitas mais abonados. A orla fica cheia de restaurantes lindos e com menus nao-identificaveis. Eh estranho andar pela cidade e se sentir uma analfabeta. Eh estranho tambem chegar ao final do dia e ver que as melecas do seu nariz estao como pedras de areia, se mexer esfarelam, porque o ar aqui eh muito seco.

Na volta, acabamos presenciando um casamento judaico na praia, com toda aquela cerimonia saida das novelas da Gloria Perez.


Quarto dia
Passei o dia todo na empresa, assistindo a apresentacoes e uma galera falando sem parar para uma plateia de 3 pessoas: eu, minha coleguinha vietnamita ja citada e outra da Russia. A sensacao que eu tenho eh de que estou aqui ha 2 semanas e a coisa esta ficando russa de tanta informacao. Os judeus estao mesmo judiando de mim.

A noite resolvi ir no supermercado decidida a comprar algo, ja que estou meio de saco cheio da comida dos restaurantes daqui. Chegando la me senti como uma crianca de 4 anos que ainda nao sabe ler. Olhava os rotulos, tentava ver algum desenho familiar para descobrir se o produto era feito de fruta, leite, castanha ou era so um sabonete. Depois de meia hora resolvi ir embora e comer um sanduiche em um cafe onde o menu era em ingles.

O mal do mundo esta na mini-saia jeans

Eu, toda saltitante, voltando do banco depois do almoco, vestindo uma saia-jeans, camiseta roxa e havaianas. Passa um cara e solta esta:
“Voce nao tem vergonha de sair nua na rua nao?”
Eu, meio em choque, mas achando que havia entendido mal: “o que?”
E o cara-de-pau repetiu!!!!!
Dei uma risadinha (no fundo me matando de raiva) e falei: e voce nao tem vergonha de dar palpite na vida dos outros nao?

E o pior foi que comecei a me achar super pelada, fiquei com vergonha da minha mini-saia e me perguntando por que eh que eu nunca dei ouvido ao meu pai!?! Sera que estou chegando naquela idade em que as mulheres comecam a se vestir como adolescentes para reforcar a ideia de juventude e parecerem ridiculas? Ou sera que vivo em um pais tropical, onde ao meio-dia fazem 35 graus e tenho o direito de vestir o que bem entender, ou ate mesmo nao vestir? Sera que as pessoas (este cara em especial) eh muito puro e casto por isso se sentiu ofendido com os meus trajes? Ou sera que eu que tenho direito de me sentir ofendida com o comentario e com a mente maldosa dele?? Nao sei, mas em todo caso, estou indo ao salao fazer as unhas e resolvi colocar uma calca jeans.

Enquanto isso na feira de bebês…

O segurança na porta: grávidas não pagam. Os acompanhantes devem comprar o ingresso ali em baixo na portaria.

Minha irmã vira pra ele e aponta pra mim, na maior cara-de-pau: olha moço, ela ta so de dois meses…

Ele: então so a tua outra amiga precisa do ingresso.

E la vai a Lívia comprar a entrada, enquanto eu estufava minha barriga, assim so um pouquinho. Pelo menos uma coisa boa nesses meus novos 5 quilos.

Battenberg

Todo mundo já esta careca de saber que eu amei a minha estadia em solo britânico. Me adaptei ao frio, as sapatilhas sem salto, aos guarda-chuvas, aos felinos, ao cha com torradas e ate aos ingleses. Mas se tem uma coisa que eu não consegui gostar foi do tal do Battenberg. Ai em minha homenagem, o Tim me enviou uma foto desta iguaria que eh tão saborosa quanto papel mache.

O battenberg – da primeira vez que eu ouvi isso eu entendi butter-burger, e fiquei imaginando um hamburger amanteigado – mas nada mais eh que um bolinho esponjoso e quadriculado, com a consistência de um colchão de yoga, comido por ingleses adultos e insanos. E olha que eu sou daquelas que so não come britas porque poderia quebrar o dente, mas se elas viessem enroladas em açúcar ou chocolate eu ate que chupava.

E para me matar de saudade, ele também me enviou a foto do meu vinho preferido (que eh francês mas que la custa baratinho), do bombom de bayles a da neve de hoje de manha. Seria mais fácil se a Inglaterra fosse feita so de Battenberg.