viva os noivos!

Nao vejo a hora de assistir ao casamento real! Acho que estou mais empolgada do que a propria Kate em vespera do seu grande dia. Ja fiz as unhas, as sobrancelhas e estou aqui pensando que, pra nao dar azar, so vou deixar o Tim saber que roupa eu vou vestir amanha, quando o momento do “sim” chegar – mesmo que seja so uma calca jeans e uma camiseta! Com tantas festas e este clima de final de copa do mundo, pensei que de repente poderiamos fazer como os ingleses e comecarmos a instituir uns feriados nacionais em ocasioes especiais do governo. Imaginem que patriotismo bonito se todos os trabalhadores tivessem o dia livre para, por exemplo, assistir ao casamento da filha da Dilma Rouseff? As ruas todas em verde-amarelo, vendedores de pulserinhas, santinhos, cerveja, milhares de pessoas com lagrimas nos olhos e disputando o espaco com o acampamento dos sem terra em frente ao planalto, todas ansiosas para saber o modelo do terninho da presidenta!? E sera que as luzes do cabelo estarao em tons de castanho com caramelo ou capuccino e loiro-dourado? Servirao cachaca ou chimarrao como aperitivo? Oh nao, Celso Kamura e Lula como meninos-pajem!? Ta bom, ta bom, agora podem parar de imaginar e sofrer porque eh para a felicidade da nacao que informo que a filha dela ja se casou ha alguns anos e voces nao tiveram que parar tudo para assistir. Eh, pensando bem, quem precisa de outro feriado no Brasil.

o pesadelo do wallpaper

Estou praticando meus poderosos dotes da indecisao pensando no quartinho da Gabriela. Desde que descobri que estou gravida, ja tive umas 280 ideias diferentes para decoracao (sao mais de 1 por dia em 9 meses, e estou apenas com 6 meses de gravidez).

Primeiro resolvi que o quartinho nao seria cor-de-rosa e ponto final. Porque toda menina tem que ter quarto rosa? Entao comecei com a ideia de que seria em tons de amarelo. Ai achei este papel de parede e solicitei uma amostra. A amostra chegou, eu adorei, e em dois dias ja estava enjoada destes patinhos.

Passei uma semana sem dormir pensando no que fazer. Depois de muito pesquisar, encontrei este outro papel, que pela internet eu amei. De novo solicitei uma amostra, a amostra chegou e eu nao a amei tanto assim na vida real quanto virtualmente. As borboletas sao bem pequenininhas, e achei tudo meio poluido.

Mais 7 noites em claro. Decidi entao que nao usaria mais papel de parede, apenas pintaria com uma cor neutra e usaria os detalhes so na decoracao mesmo. Ai resolvi que seria cinza com detalhes em amarelo, como nesta foto:

Finalmente dormi bem por alguns dias. Ate que fomos a Londres e eu vi uma poltrona verde e amei. Perfeita para o quartinho dela. Mas verde? Com o quarto cinza e amarelo? Nao dava. Entao o quarto nao poderia ser desta cor, teria que mudar, em funcao da poltrona. Perai, quem sabe se eu recaptulasse aquele papel de borboletas?


Ele combinaria com a poltrona verde…Mas eu nao tinha gostado muito dele, lembram? Ai ai. Passei mais uma semana sem dormir.

Sem dormir e olhando para a poltrona. Pensando no que fazer para encaixa-la ali na decoracao que ainda nem existia. Eis que de madrugada eu tive uma ideia genial. Bingo! O quarto seria rosa! Rosa com verde, combina. Eu sei que eu nao queria rosa… Mas mudei de ideia. A poltrona ficara bem num quartinho rosa. E alias, ela eh menina, menina tem que ter quarto rosa. E ponto. 
Entao achei este papel de parede: 

Uau, adorei. Super moderno, nao quero nada caretinha. Ta bem, eh meio poluido (pior que o de borboleta…), mas se eu usar todo o resto do quarto branquinho… ai combina. So que minha poltrona eh verde. E lembrei que ja comprei as cortinas, bege. Bem, vou pensar num jeito de combinar este papel de parede moderno e poluido com uma poltrona verde e cortinas bege. Nem que eu tenha que encapar a poltrona. Nem que eu tenha que tingir as cortinas. E la se foi mais uma semana sem dormir.

Ja com os olhos fundos, resolvi entao que teria que ampliar meus horizontes, encontrando mais opcoes de papel de parede que combinassem com minha poltrona verde. Ai achei este: 

 

Rosa. Com bolinhas. Caretinha, mas eu amo bolinhas. Entao seria isso, acho que minha poltroninha verde ficara feliz com esta parede rosa ao fundo. 

E eis que hoje fui a loja, ver o tal papel a olho nu. Nao gostei. Muito bobinho, e acho que a parede ficara rosa demais. E nem tudo tem que ser rosa, so porque ela eh menina.

Foi entao que vi este outro, branco com florzinhas – por sinal, rosas. Afinal, ela eh menina. 

 

Nada moderno, pelo contrario. Mas bem, ela sera apenas um bebe, um quartinho romantico combina. E a poltrona tambem combina, ja que o papel tem umas bolinhas verde e azuis. Ai ai. Minhas olheiras ja estao roxas. 

* E depois falam pra eu aproveitar porque depois que o nenem nasce a gente nao dorme.

Entre coincidencias e historias de amor – ou, como tudo comecou…

Eu ja estava morando na Inglaterra por 8 meses, portanto ja na segunda metade da minha estadia, que duraria 1 ano. Entao decidi que ainda faltavam dois lugares que precisava visitar, antes de voltar pro Brasil: Portugal, onde minha querida amiga Claudia Goncalves estava morando ha uns 5 anos, e Escocia, ja que e nosso pais vizinho e, portanto, de facil acesso. Eu havia aproveitado meus 8 meses ao maximo, feito varios amigos de varias nacionalidades, viajado muito, sendo sozinha, com amigos ou com meus pais e minha irma, que vieram me visitar em junho. Estava feliz. Pensar em voltar ao Brasil me dava uma pontinha de tristeza, mas nao aquela tristeza “triste”, mas uma tristeza cheia de saudosismo, pois eu sabia que voltar a Inglaterra seria algo para um futuro bem distante. Mas enfim, estava feliz por poder voltar a casa, aos amigos, a familia. Estava feliz por tudo que havia aprendido e ainda estava aprendendo nesta experiencia maravilhosa. Estava feliz por ter tanta sorte na vida.

E foi ai decidi comprar minha passagem para Portugal, com data para o mes seguinte, durante o recesso da Universidade, que duraria 2 semanas. Mas como eu nao estava com tanto dinheiro assim para ficar batendo perna nos momentos finais da minha estadia em terras britanicas, resolvi que viajaria por apenas 1 semana, quando eu visitaria a Claudia na cidade dela, ao norte de Portugal (Viana do Castelo), por uns quatro dias, iria entao de trem a Lisboa e ficaria na casa da Mariana Juliao – outra amiga e ex-colega de trabalho de BH – por uns tres dias e por fim retornaria ao norte, onde pegaria o voo de volta para a Inglaterra.
Pois bem…

A data chegou e naquela manha bem cedo peguei o bonde para a estacao de onibus em Sheffield, onde peguei o onibus para Liverpool, com escala e troca por outro onibus, em direcao ao aeroporto John Lennon. Me lembro ate de ter tirado uma foto com a estatua do idolo.


Por fim embarquei com destino ao Porto, que fica a mais ou menos uma hora da cidade da Claudia, onde ela estaria me esperando com o Ernesto, o marido dela na epoca (ai a historia da Claudia merece outro capitulo a parte…). Foi otimo poder rever minha amiga tao querida depois de todos aqueles anos – ela foi e sera uma pessoa muito importante na minha vida. A Claudia e daquele tipo de pessoa que sempre sabe as palavras certas, o conselho necessario, com um conhecimento admiravel… E ai passei 4 dias maravilhosos la com ela e sua familia.



No meio da semana, como planejado, peguei o “comboio” (traducao para “trem”, em Portugues de Portugal) com destino a Lisboa, e entao um taxi para a casa da Mariana e Alex (o Alex era o marido dela na epoca… e a Mariana tambem merece um capitulo especial!) onde ela havia deixado tudo bem preparado para minha chegada: mapa da cidade, folders turisticos e pasteis de belem… 

Os tres dias em Lisboa foram, como posso dizer, marcantes. Conheci lugares, pessoas e, em cada passeio a pe e sozinha, me senti livre, completa, feliz. Eu e Mariana nos divertimos. Ah como nos divertimos.



Mas claro que 3 dias passaram muito rapido. Entao senti que quando eu estava no melhor da festa, ja era hora de voltar. Peguei o comboio para o Porto, onde a Claudia foi me encontrar e passamos um dia lindo naquela cidade maravilhosa.

E no dia seguinte seria hora de partir, agora partir de verdade, para a Inglaterra. Mas… apenas “seria”. Porque a Claudia – com sua palavra certa, lembram? – me convenceu a trocar a data da minha passagem, e com isso ganhei mais 4 dias de verdadeiras ferias. Irresponsabilidade ou apenas desejo de viver, nao sei ao certo, mas como sempre, cedi a “sabedoria” daquela pessoa em quem eu confio tanto. E afinal, porque eu a questionaria? Tudo que ela planejava sempre dava certo. Mesmo que o certo seja assim meio relativo…. (Lembro-me de quando trabalhavamos juntas – eu no marketing e ela no RH numa cidade do interior de Minas, quase divisa com o Rio – e num certo domingo teriamos a apresentacao de fim de ano da empresa, onde nos duas eramos as principais responsaveis pela organizacao. Mesmo com varios detalhes ainda pendentes, na sexta-feira anterior fomos com a cara-de-pau e a coragem passar um fim de semana no Rio de Janeiro. Ai saimos a noite, aproveitamos o sabado e no domingo bem cedo, cheias de ressaca, partimos contra o relogio para chegar a tempo da apresentacao… Nao preciso dizer que depois de toda a improvisacao e suor – literalmente, ja que a temperatura media da cidade e de 35 graus o ano todo – foi tudo um sucesso!) Entenderam ai como eu iria duvidar da sabedoria “Claudiana”?

Pois bem, nestes dias extras que se seguiram eu pude entao viver a maxima de “em Roma como os Romanos, criando a minha versao de “em Portugal como os Portugueses”. Passava meu tempo na companhia de um livro e um par de oculos escuros, na praia ou na cidade, com uma paradinha para o cafe e a tosta de queijo… Nos finais da tarde, depois do trabalho, a Claudia sempre viria me encontrar onde eu estivesse, para mais alguns momentos de pura delicia e comemoracao a vida. A Claudia sempre disse que adora meu jeito leve de viver. Pois eu adoro o jeito leve de viver dela.

Ate que, pela segunda vez, o ultimo dia chegou. Detesto ultimos dias, pelo menos ultimos dias de ferias. E aprendi a detesta-los ainda mais quando estava la, tendo um dos melhores momentos da minha vida. Mas como a responsabilidade desta vez chamou mais forte, aceitei. E no meu ultimo dia livre fiz como faria em qualquer outro dia naquela cidadezinha do norte portugues. Fui a praia, que entao estava quase deserta.


Setembro ja devia estar muito frio para eles, com temperaturas em torno dos 20 graus. Para mim, ja acostumada com o clima ingles, aquela era a ultima oportunidade de sentir o sol na pele. Alem do mais, aquela praia era uma das mais bonitas que eu havia visto em meus passeios (ta bem, o Lago de Garda, ao norte da Italia, ainda consegue ser mais bonito, mas o Lago de Garda nao e mar, e lago!). Praia com um “que” de Brasil, um “que” de casa. Me fazia bem sentir aquela brisa, lendo meu livro, pensando na vida… Alias, na vespera, eu e Claudia tivemos uma conversa sobre a vida. Sobre nossos planos, sobre nosso futuro. Ela nao estava feliz e talvez um pouco baguncada por dentro, apesar de pra mim ela ainda parecer uma das pessoas mais felizes que conheco e uma das mais bem estruturadas e decididas… E eu, ao contrario, que sempre fui indecisa e sofro em tomadas de decisao, estava atingindo meu pico de felicidade e libertacao… Naquela noite eu me lembro de te-la dito: “eu estou tao feliz neste momento. Tao feliz sozinha. Eu sei que tenho minha familia e amigos. Estou tranquila. Acabei de entender que nao me interessa um marido. Alias, nunca pensei que nao fosse mais querer um! Entao eh isso, vou ser solteira convicta, mas, claro, terei alguns amantes por ai, amigos queridos e vou viajar o mundo. Pela primeira vez eu sinto que estou super completa simplesmente assim, eu comigo mesma…”

E voltando a praia…
Como eu disse, naquele meu ultimo dia, ela estava quase deserta. A nao ser por uma familia bem la a frente, pertinho do mar. O pai estava deitado na toalha, de costas pra mim. A mae brincava com duas menininhas, uma loirinha e uma moreninha. Pensei: que familia feliz. Sera que um dia eu terei uma assim? Mas veja bem, eu havia apenas decidido que nao iria mais pensar em casamento!

Voltei ao meu livro e me permiti descansar. So coisas boas estavam no meu coracao. So borboletas estavam no meu jardim, que eu havia aprendido a cultivar, mais do que nunca, naqueles ultimos dias. Foi entao que, depois de algumas paginas do meu livro, notei que a “mae” da familia feliz logo ali na frente havia ido embora e levado consigo uma das menininhas. Restava ainda o “pai” e a outra crianca, que ainda brincava perto do mar com seu baldinho. Nao sei bem porque, mas quis guardar aquele momento tao tranquilo. Como se aquilo fosse a personificacao do marido que eu me abstingui de ter: peguei minha camera fotografica e tirei uma foto do “pai”, deitado ali, de costas pra mim, observando o mar.

E mergulhei de volta ao meu livro, como se aquela foto e aquela brisa me fizessem ainda mais completa…
So que fui interrompida.

Eis que a menininha veio a mim correndo e com seu sotaque tipico portugues me perguntou pelas horas. Sao 4 e 5, eu disse. Ela mais que depressa correu de volta ao pai e quando eu menos esperava, la estava ela de volta, desta vez com seu baldinho – e sua intencao de por ali ficar – completou, como se enviada novamente pelo pai: “obrigada!”. E ela ficou. Sentou-se ao meu lado e comecou a conversar, aquela conversa de qualquer menina de 4 anos de idade. Por coincidencia, o nome dela tambem era Claudia. E passado uns 15 minutos, aparece o pai para busca-la. Pela primeira vez pude ver seu rosto. Pele queimada pelo sol, uns olhos azuis, uma expressao tranquila. Nao o que eu chamaria de um rosto de gala de cinema, mas um rosto para se confiar. Um rosto feliz. E tambem com seu sotaque lusitano, me pediu desculpas, como se a filha estivesse a aborrecer-me. E eu, com minha brasileirice: “ah, que isso, imagina”. E eis que o portugues de olhos azuis e rosto tranquilo comeca entao um dialogo com sua filha. Um dialogo em ingles. E um ingles perfeito. So que para minha surpresa, a garotinha responde, tambem em um ingles assim perfeito, para garotinhas de 4 anos. E eu com meus botoes: meu Deus, o portugues fala em ingles com a filhinha, e ela esta aprendendo tudo! E entao seguiram alguns momentos de dialogo entre os dois, eu ao lado, pernas de indio em minha toalha, observando, escutanto, me cocando para saber mais. Resolvi que esta tatica de falar em ingles com as criancas era a melhor descoberta desde a invencao da roda e que no futuro eu tambem ensinaria meus filhos a serem bilingues. Mas, perai, que filhos? Pois eu nao havia apenas decidido de que seria sozinha? Bem, a esta altura eu ja nao estava mais me contendo e, olhando para o portugues, perguntei, em portugues, obviamente: “de onde voce e?” E ele meio sem entender, provavelmente gracas ao meu sotaque mineiro (ok, existe grande possibilidade de eu ter dito: “di ond’ ce e?”) respondeu instantaneamente: “sorry?”. Ahhhh, entao esta explicado. O portugues de pele queimada, olhos azuis e rosto tranquilo era de fato ingles. E nao sei bem porque, mas algo mais forte dentro de mim – chamado curiosidade, ou simplesmente jeito Karla de ser – resolveu confirmar a hipotese, desta vez com um “where are you from?”. E ele, desta vez mais confortavel: “England!”. Entao comecamos a conversar. Eu disse que estava morando em “England” por um ano e estava em Portugal de ferias, visitando uma amiga. Ele disse que estava passando uma semana com a filha, que morava ali, enquanto a ex-mulher estava na Franca, mas que estaria de partida para a Inglaterra em dois dias, no domingo…

E foi assim que duas pessoas completamente diferentes, de nacionalidades diferentes, mas que naquele momento moravam na Inglaterra e estavam passando uma semana em uma cidadezinha pacata do norte de Portugal, gracas a duas pessoas de nome Claudia, se conheceram.

Mas, perai. Quem seria entao aquela mulher com a outra menininha? Exatamente uma mulher com uma outra menininha, como ele explicou. E as duas garotinhas estavam brincando juntas, como garotinhas da mesma idade fazem, quando vao a praia e estao entediadas de ficarem apenas em volta dos pais. Ah bom. Ai nao sei bem porque, mas fiquei contente. Mesmo com a lembranca de que estava de partida no dia seguinte.

E entao conversamos. E rimos. E contamos historias, e planejamos ir a Escocia. Mas assim, como quem planeja ganhar na loteria ou visitar o Polo Norte. E mais tarde, quando a minha amiga chegou, fomos todos juntos fazer um lanche no restaurante da praia. A conversa era leve. Horas depois, nos despedimos. Ja estava ficando tarde e ele tinha que levar a filha embora. E pensei, meio frustrada, como ele nem havia pedido meu telefone. Bem, ele deve ter uma namorada, afinal. Ja conformada e em direcao ao carro, escuto meu nome: “Karla!” E eu com esperancas: “oi?” Ele, meio sem graca: “entao nos vemos na Escocia???” Eu sorri, fiz que sim com a cabeca e pensei: que ingles idiota.

E assim terminaria a historia do ingles que conheci em Portugal, pois lembrem-se de que no dia seguinte eu estaria de partida para a Inglaterra, e nos nao moravamos na mesma cidade. Fora o nome dele, Tim, eu nao sabia mais nada. Se quer me lembrava do nome da cidade onde ele morava. Estas cidades da Inglaterra parecem ter todas o mesmo sufixo. Nunca mais o veria. Mas, nao importava. Ele devia ter uma namorada, e eu, afinal, estava bem e feliz assim sozinha, lembram?

Naquela noite, ja prontas para dormir, a Claudia comeca: “olha Karla, porque voce nao troca sua passagem?” E eu: “ta louca, Claudia? De novo?” E ela: “e. Suas aulas nao comecam ate quarta-feira. Voce pode muito bem ficar ate terca-feira e entao eu te levo ao aeroporto”. Eu, tentando ser responsavel: “nao posso, querida. Mesmo se quisesse, ja estou falida! Preciso voltar”. Ela, com sua artimanha infalivel: “Ah nao Karla, nao me fale de dinheiro. Voce nao precisa de nada para ficar aqui. E a taxa de remarcar a passagem desta vez eu pago! Eh isto, esta decidido, voce nao vai. Eu preciiiiiso de voce aqui.” E assim Portugal me ganhou de novo por mais quatro dias. E eu ganhei o que estaria por vir…

O dia seguinte comecou como um presente, ja que ao inves de ir pro aeroporto eu tive o bonus de ir novamente a praia. Simplesmente o lugar onde eu iria todas as manhas, leria meu livro, comeria algo gostoso, relaxaria, pensaria na vida e esperaria pela Claudia, no final da tarde. Simplesmente vivendo Portugal como uma nativa, lembram? Bem, uma nativa em ferias…

So que ao chegar a praia, quem eu vejo? Sim, gente, ele mesmo, o ingles. O ingles que nao pediu meu telefone. So que hoje ele estava sozinho, aproveitando o sol com aquela fome que so os britanicos tem pelos raios solares (aquela fome que eu aprendi a ter tambem…) Parei em pe ao lado dele e disse: veja quem esta aqui! E ele levantando-se mais que depressa, como se nao pudesse deixar escapar mais uma oportunidade: “so depois que fui embora que me dei conta que nao havia pedido o seu telefone!” E eu como se tivesse meus pensamentos invadidos: “eu percebi…” Ele completou: “mas voce tambem nao pediu o meu!” Eu, fazendo-me de indignada: “olha aqui, no lugar de onde eu venho sao os homens que pedem o telefone das mulheres!” Ele, fazendo-se de multiculturalmente surpreso: “e do lugar de onde eu venho sao as mulheres que pedem o telefone dos homens!” E ele me explicou que resolveu voltar a praia pois tinha esperancas de que eu fosse dar uma passada por la pela manha, antes de ir embora para a Inglaterra. E eu expliquei que jamais teria aparecido, se nao fosse pelo fato de que adiei meu voo por mais quatro dias.

E entao mais uma vez rimos, conversamos, fizemos novamente planos de visitar a Escocia. Mas desta vez nao como quem planeja o inatingivel, mas sim como quem planeja visitar aquele pais onde os homens vestem saia. E desta vez trocamos o telefone, dividimos historias, o fone do i.pod e, quando percebemos, estavamos dividindo tambem a mesma toalha de praia.

E foi assim que desde aquele dia, este ingles passou a ser conhecido como o meu ingles. Com ele passei a dividir meus sonhos, meus planos, minha vida. Este ingles hoje e meu marido. O marido que eu nunca planejei ter, talvez porque fosse mais do que eu pudesse, naquela epoca, sonhar. Juntos nos dividimos tambem a certeza de que coincidencias e historias de amor sao reais, voce so precisa acreditar e dar uma forca ao destino, sendo adiando sua passagem de volta pela segunda vez ou voltando aquela praia deserta…


Peterhead, Escocia, 2007


Edimburgo, Escocia, 2007

*Um mes depois, fomos a Escocia.
Alguns meses mais tarde, ao Brasil. Onde o Tim passou tres meses comigo e conheceu toda a minha familia.
A musica que dividimos no i.pod, You Give me Something – de James Morrison, foi tema do nosso casamento, em agosto de 2008. E as tres fotos sequenciais que tiramos em uma ruazinha de Edimburgo foram a capa do nosso convite.
E o que aconteceu depois, voce ja sabe, se le este blog :)

*Confira aqui todas as fotos de Portugal e Escocia.

meus pequenos grandes amores

Acho que desde que descobri que estou gravida, acabei nao escrevendo nada dos meus sobrinhos aqui neste blog. Mas nao significa que eu os ame nem um pouquinho a menos! Ai vao algumas fotos destas criancas que eu amo tanto e enchem meu coracao de uma mistura de alegria, saudades e instinto maternal! Ou seria “tianal”?!

 
 

*Ah, e tenho que contar a ultima perola da MC.
Eu no skype com minha mae, conversando a respeito de minhas milhagens da Tam, e a Maria Clara no fundo, escutando:
(minha mae) “Entao eu so passo meus dados pra eles depois que eles fizerem o deposito ne?”
(eu) Ah, mae, sei la… passa os seus dados pra eles logo ai ja resolvemos isto.”
(Maria Clara) “vovo! eu tambem quero seus dados! Deixa eu brincar com seus dados, vovo!?”

E la se foi minha mae, morrendo de rir, buscar os dados (sim, aqueles com 6 lados e numeros de bolinha) do jogo de RPG do meu irmao, pra Maria Clara brincar.