Gabriela

Como alguns ja sabem, a Gabriela nasceu dia 25 de julho, as 18:13h pesando 3.640kg. Agora o que ninguem sabe eh como foram estes 15 dias, desde que passei da condicao de simples mortal para a condicao de mae, aquele ser que, agora sei mais do que nunca, padecera no paraiso.

Acordei naquela segunda-feira as 6:40 da manha, sentindo umas colicas leves, acompanhadas de vontade de ir ao banheiro. Depois de 3 destas colicas, eu acordei o Tim e toda empolgada falei: amor, acho que ela vai nascer hoje!!! E comecei a rir. Foi a conta de ter outra colica destas. Ai comecamos a marcar. De 12 ou 13 em 13 minutos. Liguei para o hospital. Me mandaram relaxar, tomar um banho, pois era “apenas o comeco do trabalho de parto de uma mae de primeira viagem, entao ainda poderia levar o dia todo e que so quando elas chegassem de 5 em 5 minutos eu deveria ir para o hospital”. Ai o Tim saiu para trabalhar e eu fiquei deitada esperando a morte da bezerra. Mas por apenas mais uns 10 minutos. Entao quando percebi as contracoes ja estavam de 5 em 5 minutos, ou de 3 em 3, ou sei la quantos, ja nao conseguia mais marcar, enquanto eu me contorcia no chao ao lado da cama, no banheiro, em frente ao armario, onde eu estivesse a cada cinco minutos. Liguei pro Tim e fomos para o hospital. Eh engracado como eu planejei tanto este dia, o que eu iria vestir, a maquiagem que iria colocar, as frutinhas da geladeira que eu iria pegar. O Tim chegou e eu ja estava la em baixo parecendo uma corcunda de notredame. Pulei no carro e comecou meu desespero. Nunca o trajeto para o hospital foi tao longo. Eu puxava o cinto de seguranca do Tim e com os olhos esbugalhados gritava: FAAAAAASSSSSTTTTT! E ele tentando manter a calma: “nao posso ir a mais de 40 milhas por hora.” Que se danem as milhas por hora!!!! Eu vou parir no carroooooooo!!!!! Ai depois de segundos de agonia – que parecem durar 25 minutos – a dor passa e vc se sente ridicula. Comecava a rir e tentava pegar um batom na bolsa. E a dor vinha de novo. E eu puxava o Tim pelo colarinho. E mandava ir mais rapido. E ai a dor passava.

Ate que chegamos no hospital. O Tim teve que me levar ate a maternidade em uma cadeira de rodas, enquanto eu gritava igual uma vaca parindo. Ai a dor passava, e dava uma vergonhinha de estar sendo puxada pelo marido, de costas, pelos corredores do hospital. Entao chegamos na maternidade e outra contracao tinha apenas comecado, acho que eles se desesperaram e me colocaram no primeiro quarto disponivel, o tal da banheira, estilo Gisele Bundchen dando a luz. Eu berrando e a enfermeira perguntando se eu queria entrar na agua. E a unica coisa que eu gritava era “periduralllllllllllllllllllllll” Agarrava no pescoco do Tim e, de novo, peridurallllllllllll!!!! E as enfermeiras todas com aquela cara de paisagem “isso, querida, voce esta indo muito bem!” Me trouxeram uma bombinha de gas que eu atarraquei na minha boca e so soltava para gritar peridurallllllll!!! Uma delas comentou risonha: olha so, o gas esta sendo muito bom pra ela :/ E eu com muito esforco consegui tirar a bomba da boca e berrar com os olhos quase sangrando de odio: “so porque eu nao estou gritando nao significa que nao esta doeeeeennnnndoooooo!!!!!!!!!!!” Mas o pior mesmo foi quando escuto, bem no meio daquela dor insuportavel, o Tim respondendo pra anestesista a minha data de nascimento: 31 de dezembro. Eu tirei forcas do alem, destarraquei o gas da boca pela segunda vez e, ao inves de “peridural”, desta vez berrei: “eh VINTE NOVEEEEEE!” E o agarrei de novo pelo colarinho. Gente, dar a luz sem anestesia ainda va la, mas o seu marido errar a data do seu aniversario eh o fim da picada.

Ate que longas 2 horas depois, milhoes de contracoes e quase perda total da camiseta do Tim, finalmente resolveram me dar a bendita peridural. Uns 20 minutos mais tarde estava eu la, toda sorridente, pernas meio dormentes, mexendo no i.Phone. Chegamos a conclusao de que Facebook realmente alivia a dor.

E foi isso. Me deixaram la mofando, eu, Tim e nossos 300 amigos do Facebook, por umas 4 horas. Durante todo este tempo, ninguem me mandou fazer “forca”. Ate que la pelas 3 da tarde a galera voltou e resolveu que estava na hora, entao daqui a pouco seria a hora do PUSH. E entao eu “pushei”, “pushei” ate as 5 e meia da tarde. Nao sei como ainda tenho veias inteiras no pescoco. O Tim disse que eu estava roxa. So que minha temperatura comecou a subir, e os batimentos da Gabriela comecaram a cair. E assim, sem mais nem menos, depois de umas 8 horas no hospital, resolveram me levar para uma cesariana. E em 12 minutos a Gabriela estava nascendo. E a primeira frase que escuto do Tim, eu com aquele lencol na frente, sem ver nada: oh my God baby, she got so much hair! E me trouxeram aquele bebe. Aquele tanto de cabelo. Aquela carinha perfeita. Aqueles dedinhos das maos. Aqueles pezinhos enormes e fininhos, que ainda nao consegui decidir a quem puxaram. Aqueles olhinhos de jabuticaba, me olhando, sem chorar. Era minha. E eu ainda nem acreditava que tinha estado gravida.

Nestes 15 dias, a Gabriela entao dormiu, acordou, chorou um pouquinho, mamou de um lado, arrotou, fez coco, mamou do outro lado e dormiu. E assim pelo resto do dia, e da noite tambem. Minha tarefa foi estar ali para ela, olha-la, beija-la, deixar algumas lagrimas cairem na sua cabecinha, enquanto pensava o quao abencoada eu sou. Mesmo com umas olheiras cabulosas (como meu irmao bem pontuou) eu so posso agradecer a Deus por esta pessoinha na minha vida. E garantir que vou fazer de tudo e mais um pouco para que ela seja a menininha mais feliz do mundo.