amar, mamar, amamentar.

Quando eu comecei a amamentar a minha filha eu achei aquilo a coisa mais dificil que ja tinha feito na vida. Por mais de um mes eu sofri de uma dor terrivel. Meus mamilos racharam e frequentemente minha bebezinha tinha que engolir alem de leite, sangue! Eu me lembro de uma vez que ela estava mamando e resolveu virar a cabecinha pro lado, o sangue encostou no rostinho dela e ela parecia estar usando blush. Eu passava horas lendo todos os artigos na internet possiveis sobre amamentacao e sentia nao uma ponta, mas uma montanha enorme de inveja daquelas maes que achavam aquilo ali um prazer. Para mim, amamentar estava longe de ser um momento agradavel. Minha filhinha chorava e eu pensava: “ai drogaaaaaa! esta na hora de novo!” e sabia que minha dor estava apenas para comecar.

Eu nao sei de verdade porque eu decidi continuar. Talvez foi gracas as minhas raizes brasileiras, sendo de um pais onde amamentar eh sempre a primeira opcao me ajudou. Alem do mais, minha mae estava aqui comigo naqueles primeiros dias, os mais dificeis, o que me fez persistir. A assistente de saude que me visitava uma vez por semana tentava me mostrar uma luz no fim do tunel: “vai melhorar, Karla” e eu ficava me perguntando quando. E eu tambem escutava da maioria das pessoas com quem convivo aqui: “porque voce ainda esta amamentando?” (e faziam aquela cara de “sua estrangeira estranha e ultrapassada!) “Talvez voce deveria tentar uma mamadeira!” E a verdade foi que eu tentei. Tentei a mamadeira e minha bebe nao se importou.

O unico problema eh que no fundo do meu coracao eu sabia que eu nao queria desistir. Eu sabia que eu queria continuar amamentando ate o dia que eu fosse capaz de achar aquilo uma coisa maravilhosa. Eu queria experimentar aquele sentimento. Eu queria ser aquela mae. E nao seria apenas pela minha filha, seria na verdade para mim mesma.

Infelizmente nao podemos provar assim tim-tim por tim-tim os beneficios do leite materno contra o leite em po. Claro que o leite materno eh a opcao natural, mas nao podemos perguntar aos recem nascidos qual dos dois eles preferem e nao podemos pontuar as diferencas reais entre pessoas que foram amamentadas quando bebes e as que apenas tomaram mamadeira. E por aqui na Inglaterra, a amamentacao eh vista quase que 100% como uma coisa ultrapassada, ou pior, motivo de constrangimento. As jovens nao amamentam. Suas maes nao amamentaram. E nem suas avos.

De fato, a mamadeira eh uma opcao bem pratica. Ferva a agua, misture o po e esta pronta. Nao precisa tirar o peito pra fora em qualquer lugar. Nao precisa de um lugar especial. Nao precisa nem mesmo da presenca da mae! E esta eh exatamente a questao.

A verdade eh que eu nao estou falando sobre nutricao. Amamentar nao eh simplesmente dar o seu leite para o seu bebe. Amamentar eh dividir sentimentos, trocar energia. Eu ainda dou para minha garotinha uma ou duas mamadeiras por dia e ela nunca reclamou. Mas no resto do tempo eu quero sentir aquele prazer. Eu quero dar para ela muito mais que leite, eu quero aproveitar aquelas 8 ou mais oportunidades por dia de estar bem perto dela. De sentir sua pele macia em contato com a minha. De mostrar que eu me importo e que estou ali para ela. Entao hoje, quando minha menininha de 4 meses esta mamando e de repente ela para por um segundinho e me olha com aqueles olhinhos brilhantes e um sorriso naquela carinha redonda, eu sei que tudo valeu a pena. Eu sei que este eh o verdadeiro alimento. Eu sei que isto eh amor.

gente, nao eh mole nao

Eh inexplicavel a solidao que uma mae em um pais estrangeiro pode sentir nos primeiros meses da maternidade. Tente imaginar como se sentiria uma baba que nao tem horario para terminar o servico e ir pra casa. E que nao tem nenhum membro da familia por perto para visita-la ou ir visitar. Com amigos que se contam nos dedos, mas que, claro, estao muito ocupados com seus trabalhos, enquanto voce esta por conta do “a toa”, so tomando conta de um nenem. Passar o dia todo tomando conta do seu bebe nao eh facil, mas passar o dia todo somente voce E o seu bebe, isso eh solidao. Nao que seu bebe nao seja lindo. Nao que seu bebe nao seja amado. Nao que seu bebe nao seja a coisa mais importante que voce tem naquele momento. Estou falando do desespero para ver uma pessoa adulta, para falar algo que nao seja gugu-dada. Um desespero para se sentir alguem de novo. Ai seu marido chega em casa depois de um dia de trabalho e nao entende muito porque voce esta tao cansada. Nao eh cansaco fisico. Voce nao carregou peso (ta bem, os 6kg do nenem, mas nao eh nada disso), nao faxinou a casa, nao correu uma maratona. Mas sua mente esta com fadiga. Seu cerebro precisa de um estimulo diferente daquele do mobile em cima do berco do nenem. Voce esta cansada porque nao produziu. Porque nao viu gente. Tem gente que acha que gente cansa. Eu tambem ja achei um dia. Hoje acho que gente rejuvenesce. Voce precisa de gente por perto para pensar como gente. Eu preciso de gente. Cheguei a um ponto que quando o carteiro bate na porta, eu puxo conversa. Fracionei minha lista de compras so para ter a desculpa de ir ao centro da cidade pelo menos uma vez por dia.O desespero eh tanto que, se antes eu ignorava as ligacoes da minha sogra, agora fico feliz igual pinto na m&*^% quando ela vem me visitar. Ai que saudade de casa. Ai que saudade da minha gente.

Breastfeeding

When I started to breastfeed my daughter I thought this was the hardest thing I had ever done. For more than a month i suffered from a horrible pain. I had cracked nipples and very often my baby had to swallow not only milk, but blood! I remember one day that she moved her head away from my breasts for a second and the blood touched her cheeks, she looks like she had put some blusher on. I would read all the articles about breastfeeding on the internet and felt so jealous about those moms who found it a pleasure. For me, breastfeeding was far from being a nice moment. My baby would cry and I would think: “oh sh*&!, it is time again!” I knew my pain was just about to start.

I don’t really know why I decided to go ahead. Maybe it was thanks to my background, being from a country where breastfeeding is the first and only option had helped. I also had my mother here with me during these first hard days, which helped me to keep on track. The health visitor would keep saying: “believe me, it will get easier” and i would wonder when. I would also hear from most of the people around: “why are you still doing it? Maybe you should try a bottle”. And the truth is I did. I tried a bottle and my baby didn’t really mind. The only problem is that deep down I knew I didn’t want to give up. I knew I wanted to carry on breastfeeding until the day when I would be able to talk about it as a great thing. I wanted to be that mom. I wanted to experience that feeling. It wouldn’t be only for my daughter, It would be actually for myself!

The fact is we can’t really prove that much the real benefits of breast milk against formula milk. We can’t ask the babies which one they prefer and we can’t point out the real differences between the people who were breastfed and the ones who were bottle fed when they were babies. And bottle feed is in fact a practical option. Boil the water, mix the powder and it’s done. There is no need to get your breasts out everywhere. No need to have a special place to feed. Not even a need for the mom to be there! And that is exactly the point.

As you can see I’m not talking about nutrition. Breast feeding is not just giving your milk to your baby. It’s about sharing feelings, having body contact, exchanging energy. I still give my girl one or two bottles of formula a day, and she has never complained. But the rest of the time I wanted to feel that pleasure. I wanted to give her much more than milk, I want to grab that 8 or more opportunities a day to be close to her. To feel her skin in contact to mine. To show that I care and I’m there for her. So today when she is feeding and suddenly she stops for a moment to look at me with her little eyes and a smile on her face, I know everything was worth it. I know that is a real feeding. I know that is love.