boneca de neve

Muita neve la fora, temperatura abaixo de zero e escolas fechadas: uau! o paraíso das crianças inglesas. Quem teve infância aqui gosta mesmo disso. Brincar na neve, deitar e rolar no gelo, fazer bonecos, como se fosse brincar na praia, rolar na areia igual coxinha e fazer castelinho. E como não posso vencê-los, convencendo-os de que passar frio é coisa de gente louca, tive que juntar-me a eles – mas deixo claro que foi só pelo fato de que agora tenho também uma criança em casa. Uma criança que por alegria do destino é metade inglesa.Então, pela lógica, ela deve gostar nem que seja 50% do frio, algo assim do tipo “gosto do frio um dia sim, um dia não”. Pois bem, resolvi então que meu papel de boa mãe com cabeça aberta a novas culturas seria deixar a Gabriela brincar lá fora tambem, ignorando meus pensamentos tropicais de que ela iria na verdade era pegar uma “friagem”. E comecei o processo preparatório para a brincadeira: vestir – eu e Gabi – com umas 18 camadas de roupa, começando com camiseta, passando por blusas de manga comprida e paletós de lã, e por fim casaco, gorro e luvas. A Gabi além disso teve direito a duas calças e dois pares de meia. A botinha quase que não fechou.

Só que brincar na neve nao é como a gente vê nos filmes. Fazer um boneco de neve é mais complicado do que fazer um bolo de casamento de 3 andares. Minhas mãos congelando e eu tirando fotos da Gabriela, fazendo ela acreditar que aquilo era mesmo divertido. Afinal, não quero traumatizar minha filha, fazendo-a pensar que a neve nao é bacana. O que os coleguinhas da escola iriam pensar dela? E além do mais, sua porção inglesa ficaria muito decepcionada. Só que acontece que depois de uns 10 minutos andando de um lado pro outro chutando gelo, acho que até ela ficou meio entediada. E talvez com um pouco de frio. Pediu colo e disse: “tchau neve!” acenando com as mãozinhas empacotadas em uma luva sem direito a dedos. Então entramos em casa, “descamamos”, e ela foi brincar de massinha perto do aquecedor da cozinha. E eu, com um sorrisinho de vitória, constatei que minha boneca deve ser, na verdade, 51% brasileira.