jardim da infância

Resolvi colocar a Gabi na escolinha por alguns dias da semana de manhã, já que aqui você pode escolher os dias e pagar apenas proporcional. Então podemos passar antes pelo período de adaptação, onde eu posso ir junto com ela por 3 dias antes de finalmente começar a guerra de verdade. Aí antes de começar ja mentalizei o ambiente e me preparei psicologicamente para não estressar com crianças correndo, uma tomando o brinquedo da outra, massinha grudada no sapato, nariz escorrendo e bocas sujas de yogurte. Teria que relaxar e deixar a Gabi enturmar com os coleguinhas, mesmo que ela leve um ou dois puxões de cabelo no princípio. Ou por dia.

Mas qual não foi a minha surpresa quando cheguei a escola e ouvi nada mais do que silêncio. Cheguei muito cedo? Não, pessoal, as crianças estavam quietinhas porque estavam ouvindo uma historinha. Isso mesmo, crincas de 1 ano e meio, sentadinhas ouvindo a professora ler um livrinho. Aí de cara percebi que entrei em campo com o time perdendo. A Gabi não fica assim em silêncio nem se estiver comendo um bolo de chocolate. E em seguida, quando a professora avisou que era hora de lavar as mãos para o lanche, eu pensei: é agora que eles irão se rebelar e quero ver sair todo mundo molhado de lá. Mas que nada. Todas aquelas coisinhas minúsculas se locomoveram em direção ao banheiro e se dividiram entre 4 piazinhas, cada uma com duas torneirinhas, onde lavaram educadamente suas mãozinhas e formaram uma fila enquanto a professora esperava-os com o papel-toalha. E eu fingindo que estava tudo sob controle, enquanto a Gabi tentava fazer splish-splash com a espuma no fundo do lavatório. É pessoal, eu estava ferrada. E a Gabi mais ainda.

Hora do lanche e eu confiante, dessa vez eu tenho certeza de que não vamos passar a limpo. Só que as criancas de menos de dois anos falam por favor antes de pedir algo e obrigado, assim que recebem. Comem tudinho. Levam os pratinhos e copos vazios para uma bancada ao lado, assim que terminam. E brincam lá fora, num frio de 5 graus, sem gritaria e sem empurrão. Fazem fila no escorregador, dividem o carrinho. E ajudam a por os brinquedos no lugar, a tão famosa hora de “tidy up”, onde ganham um adesivo na blusa pelo bom comportamento. E a Gabi querendo puxar as gavetinhas, abrir as caixas, subir na cadeira, descobrir o mundo. E no seu primeiro dia sozinha, quando eu fui buscá-la me deparei com uma criança estatelada no chão, fazendo uma verdadeira birra, sacudindo as pernas, batendo os pés no chao, o rosto vermelho de tanto chorar. Aliás, antes mesmo de chegar na sala eu já sabia de quem se tratava. A Gabriela dando um show a parte e sendo assistida pelas outras 5 criaturinhas, que se dividiam milimetricamente em uma mesinha perfeitamente redonda, e não conseguiam mesmo entender o motivo de tanta demonstração emotiva.