pic-pega

Gabi brincando de pic-pega com o Tim até que de repente ele para um pouquinho e ela vem com esta: “daddy, more guêia! more guêia!” Ele me olha com aquela cara de “traduza, por favor”, já que ela mistura inglês e português na mesma frase. E eu, sem entender o que “guêia” significa, fiz uma cara de interrogação enquanto ele mesmo concluía o que a pequena queria: ahhhhh, honey, more “get ya!” Yes, baby, daddy is gonna get yaaaa!!!!

e desde quando a vida segue regras

Alguém postou hoje num grupo do qual faço parte no facebook um link para um blog onde a autora explica as 25 regras para maes de meninas. Antes mesmo de começar a ler eu já estava chorando. Assim, de emoção, de imaginar sobre o que ela falaria, e de olhar para a minha menininha que estava atenta assistindo a TV enquanto a mamãe dela estava mexendo no celular – desperdiçando um pouco do precioso tempo que elas deveriam estar passando juntas, não só no mesmo cômodo da casa, mas juntas assim brincando, rindo. Comecei a ler e no meio da postagem eu larguei tudo para abraçá-la. Abracei tão forte minha menina que ela tentou escapar. Aí acho que ela percebeu umas lágrimas no meu rosto e voltou devagarinho, deitou a cabecinha no meu ombro e enquanto eu repetia: “a mamãe te ama, filha”, ela sorriu. Aqueles cinco minutos que ficamos abracadinhas valeu pelo meu dia todo. Agradeci a Deus por ter me dado esta criança de presente. E por me dar sanidade para perceber como os momentos com ela são importantes, e como devo aproveitá-los. Nesta fração de tempo, um monte de regras se quebraram na minha cabeça bobinha de mãe. Fiquei pensando no que a autora escreveu, em como valorizar as coisas pequenas e simples, como a amizade com sua filha. E fiquei pensando naquelas regras que lemos em livros, que escutamos de outros pais mais “experientes”, que achamos ser corretas. Fiquei pensando no mito do “filho perfeito”, na educação de ouro. E me veio a cabeça como os avós são tao mais sábios que nós, simples “pais”. Os avós já acertaram e já erraram, e agora se dão o direito de simplesmente amar; amar os netos e deixá-los serem felizes. Sem muitos “nãos”, sem muitas regras escritas. Claro que “não” tambem pode ser parte do amor, quando usado na hora certa. Dar limites também é amar. Mas entendi que quando meu pai carrega os netos no colo por horas a fio (e olha que a mais velha já vai fazer 5 anos) mesmo com as costas doendo, fazendo todas as mil vontades de cada uma das 4 crianças, ele não está “mimando”. Está amando. Aceitei que quando a minha sogra não sabe negar um chocolate pra Gabriela, o nome disso também pode ser amor. Os avós tem o dom de amar os netos sem muitas leis, porque os pré-conceitos já ficaram lá atrás, num tempo em que eles também eram apenas pais, e estavam muito preocupados em fazer a coisa “certa” o tempo todo. Mas acho que a verdade é que quando a gente faz com amor, não tem como dar errado. Então hoje eu prometi a mim mesma e para a minha filha que vou seguir menos regras e mais meu coração. Que não vou mais chamar a atenção dela quando ela quiser passar o dedinho na manteiga do pão. Vou deixar ela tomar mais banho de espuma, sem me preocupar tanto que “sabão demais vai ressecar a pele”, simplesmente porque ela adora uma banheira cheia de espuma. Vou deixar ela calçar a Crocks com meias para sair de casa. E misturar todas as cores das massinhas quando ela quiser, afinal quem decidiu que o azul não fica bem com o rosa na mesma bolinha. Não vou achar ruim quando ela tentar passar meu batom, só porque ele é MAC e custou caro. Nem quando quiser dormir na minha cama, se não estiver num dia bom. E se um dia não estiver com apetite para jantar, um pedaço de bolo nao vai fazer tanto mal, afinal, até a mãe dela gosta! Quero que ela brinque sem medo de se sujar, dance sem vergonha de quem está olhando, ria de si mesma e viva intensamente, porque ela só é criança uma vez na vida. Quero que ela entenda que eu também estou aprendendo que a vida é muito curta para seguirmos regras estabelecidas por outro alguém que não seja nós mesmos. E que enquanto isso eu também vou errar, me arrepender, acreditar em muita coisa sem fundamento e falar muitos nãos sem necessidade específica, só porque um dia eu ouvi que é assim que se faz, que é assim que se “cria”, que se educa. Mas um dia, quem sabe quando eu virar avó – eu chego lá.