o lado leve dessa coisa chamada maternidade

Desde que a Olivia nasceu eu virei a maior ativista do segundo filho. Com um filho a gente vira mãe; com dois a gente vira uma mãe melhor, para os dois. A Gabi tinha que viver dentro de uma rotina, assim uma espécie de “bolha do filho único”. Não acho que toda mãe de um filho só seja assim, mas eu era. Eu sofria se ela não comia o que eu planejava para ela comer. Ou quando ela não dormia no horário planejado para ela dormir. E quando alguém fazia barulho enquanto ela dormia. Ou quando ela chorava por qualquer motivo, seja porque não gostava da cadeirinha do carro ou porque tinha perdido algum brinquedo dentro do próprio quarto. Minha vida se resumia em estressar. A a coitada da pequena se estressava ainda mais. Deve ter sido difícil para ela conviver com uma mãe assim. Todas as expectativas estavam voltadas para ela. Ela não podia falhar. Ela não podia se frustrar. Cresceu com medo de sujar as maozinhas. Cresceu sem andar muito descalço. Cresceu obedecendo as regras e com muito medo de desviar do caminho que eu havia planejado para ela. Ela passou 3 anos carregando esse peso nas costinhas magras.

Até que a Olivia nasceu e a Gabi se libertou – ou eu a deixei libertar-se. Ela agora pode brincar sem medo de sujar a roupa de barro e se um dia a gente chegar tarde em casa e ela dormir no carro, eu não vou cortar os pulsos porque ela vai matar o banho. Ela ainda é daquelas crianças que come um sorvete de duas bolas sem sujar um dedo, isso é um pouco dela também. Mas tenho certeza de que hoje ela é uma menina mais feliz.

Talvez ela não saiba distinguir ainda, mas eu virei uma mãe mais humana para ela. Ela pode ser ela mesma e não é porque me falta tempo, mas porque a chegada do segundo filho me fez perceber que algumas coisas são importantes, já outras podem esperar. Então ela se acalmou; enquanto a Olivia já nasceu calma. Tudo reflexo de uma mãe que aprendeu e ainda está aprendendo.

E enquanto os longos dias passam eu percebo como os meses voam e já já a Olivia completará 1 ano. Meus bebês já nem são mais bebês assim e eu até hoje não acredito que sou mãe. Mãe de duas criaturas lindas, que me ensinam a ser uma pessoa mais leve. Ter duas filhas é bom demais. E deixá-las serem quem elas são é apenas um modo de agradecer todo o resto que elas me dão.

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